Eu já ouvi que existem três tipos de cultura no mundo, cada uma definida por sua cosmovisão predominante. Há culturas de vergonha, culturas de medo e culturas de culpa, e cada uma delas tem sua própria forma de pressionar pessoas a se comportar ou conformar à sociedade.

Em uma cultura de vergonha, sua posição perante as outras pessoas depende do seu nível de vergonha ou honra. É como se existisse uma balança imaginária que tem vergonha de um lado e honra do outro, e as coisas que você faz, as coisas que você diz e a forma com que se comporta podem inclinar a balança para um lado ou para o outro. Se você foi envergonhado, a forma de recuperar sua reputação é fazer algo que vá restaurar sua honra.

Em uma cultura de medo, sua posição depende do seu nível de medo ou poder. Essas culturas normalmente são tribais e animistas, e te pressionam com o medo das consequências dispensadas por espíritos sobrenaturais. A forma de superar o medo é conquistar poder – poder sobre esses espíritos e, através deles, poder sobre outras pessoas.

Em uma cultura de culpa, sua posição depende do seu nível de culpa ou inocência. Essas culturas são obcecadas com justiça, com manter as pessoas na linha dos padrões de certo e errado. Assim, desde os primeiros dias da infância, elas são ensinadas a seguirem as regras e que serão inocentes se obedecerem essas regras ou culpadas se desobedecerem. Adultos são mantidos na linha com listas sem fim de leis e, quando ofendidos, são rápidos em acusar outras pessoas, na esperança de que elas sejam consideradas culpadas.

Uma coisa fascinante de refletir é que todas as três culturas são previstas na Bíblia – e mesmo logo no começo. O terceiro capítulo de Gênesis conta como a humanidade acabou sendo tomada de pecado e problemas. Aqui lemos sobre os primeiros seres humanos se rebelando contra Deus e aprendemos que há consequências para essa rebelião. Não muito tempo depois de pecarem eles experimentam vergonha, simbolizada no conhecimento repentino de que eles estão nus e desejam se cobrir. Eles experimentam medo ao correrem e se esconderem de Deus, desesperados para escaparem de suas vistas. Eles experimentam culpa, sabendo que foram de inocentes a culpados perante os olhos de Deus. Em cada caso, eles estavam certos – eles tinham toda razão de experimentar vergonha, medo e culpa porque se comportaram de forma vergonhosa, ofenderam um ser poderoso e se tornaram objetivamente culpados perante uma lei divina.

Mas, assim como a Bíblia descreve como essas três são consequências da rebelião humana, ela nos descreve como o evangelho provê a solução perfeita. O evangelho responde à vergonha ao dizer como Cristo foi envergonhado em nosso lugar para restaurar nossa honra. O evangelho responde ao medo ao dizer como Cristo derrotou todos os inimigos e como ele mesmo nos dá de seu poder. E o evangelho responde à culpa ao nos assegurar que Cristo levou a culpa sobre si mesmo para que pudesse nos dar sua inocência. O evangelho remove a culpa, remove o medo e remove a culpa, restaura a honra, restaura o poder e restaura a inocência. O evangelho fala a cada pessoa em cada cultura e responde todas as suas necessidades.

(Extraído e adaptado de reforma21.org)

Por: Tim Challies

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