Definir “graça” de forma sucinta é uma tarefa difícil. Alguns dos livros de teologia mais detalhados não oferecem uma definição concisa do termo. Uma das definições de graça mais conhecidas consiste em apenas quatro palavras: favor imerecido de Deus. A. W. Tozer aprofundou essa definição: “A graça é o bel-prazer de Deus que o inclina a outorgar benefícios sobre os que nada merecem”. Berkhof é mais direto: a graça é a “imerecida operação de Deus no coração do homem, operação efetuada mediante o Espírito Santo”.

No cerne do termo graça está a ideia de favor divino. A palavra hebraica para graça é cheµn, utilizada, por exemplo, em Gênesis 6.8: “Noé achou graça diante do Senhor”. O verbo chaµnan está diretamente relacionado e quer dizer “mostrar favor.” No Novo Testamento, “graça” é uma tradução do termo grego charis, que significa “graciosidade”, “favor” ou “gratidão”. Intrínsecas a esse significado são as ideias de favor, bondade e boa vontade.

A graça é tudo isso e muito mais. Ela não é meramente favor imerecido, é favor concedido a pecadores merecedores da ira. Mostrar bondade a um estranho é “favor imerecido”; fazer o bem aos inimigos é mais o espírito da graça (Lc 6.27–36). A graça não é uma qualidade latente ou abstrata, mas um princípio dinâmico, ativo e operante: “A graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens, educando-nos” (Tt 2.11, 12).

Não se trata de um tipo de bênção etérea que permanece inativa até tomarmos posse dela. A graça é a iniciativa soberana de Deus em favor dos pecadores (Ef 1.5–6). A graça não é um evento pontual na experiência cristã, pois permanecemos na graça (Rm 5.2). Toda a vida cristã é conduzida e capacitada pela graça: “O que vale é estar o coração confirmado com graça e não com alimentos” (Hb 13.9). Pedro nos instruiu: “Crescei na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo” (2Pe 3.18).

Portanto, podemos definir graça, precisamente, como “a influência livre e benevolente de um Deus santo que opera de forma soberana na vida de pecadores não merecedores”.

Graciosidade é um atributo de Deus. Conceder graça faz parte de sua natureza. “Ele é benigno, misericordioso e justo” (Sl 112.4). “Ele é misericordioso, e compassivo, e tardio em irar-se, e grande em benignidade, e se arrepende do mal” (Jl 2.13). Ele é “o Deus de toda a graça” (1Pe 5.10); seu Filho é “cheio de graça e de verdade” (Jo 1.14); seu Espírito é o “Espírito da graça” (Hb 10.29). Berkhof observou: “Embora às vezes falemos da graça como uma qualidade inerente, ela é, na realidade, a comunicação ativa das bênçãos divinas pela ação interior do Espírito Santo, provenientes daquele que é ‘cheio de graça e de verdade’ ”.

Louvado seja Deus por Sua graça!

 

 

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