O que é preferível: viver bastante ou viver em paz? O melhor dos mundos seria ter as duas coisas: uma vida longa e uma vida cheia de paz. Porém, você e eu sabemos que todos os seres humanos, inclusive nós, têm vida de duração imprevisível e são atribulados pela natureza humana geneticamente contaminada pelo pecado, desde o ventre materno.

Assistimos todos os dias lances de morte e de vida assustada, intranquila, sobressaltada. Corremos o risco de nos acostumarmos com a violência, com a tragédia, com a notícia ruim, enquanto estas coisas não acontecem conosco, ou com alguém que amamos. Jesus disse aos discípulos que passariam por aflições, mas que tivessem bom ânimo, porque ele venceu o mundo (João 16.33), mas… tomara que não passemos por nada disto! Não é mesmo?

Pois bem, o Senhor Deus nunca escondeu o fato de que a vida humana, vivida longe de sua presença seria muito limitada, sofrida e se desvaneceria muito rapidamente. Também nunca escondeu seu amor e sua disposição em salvar pecadores, a fim de que, ao viverem sob sua graça mediante a fé, pudessem experimentar anos de vida e paz, ou seja, em meio a todas as perturbações e fragilidades cotidianas, seria possível viver bem.

Ao inspirar o sábio do passado, o Espírito Santo levou-o a escrever a seguinte exortação, que pretendemos meditar a partir daqui: “Filho meu, não te esqueças dos meus ensinos, e o teu coração guarde os meus mandamentos; porque eles aumentarão os teus dias e te acrescentarão anos de vida e paz.” (Provérbios 3.1,2).

Perceba que o escritor é profundamente afetuoso e se dirige a seu leitor chamando-o de seu filho. A pessoa a quem o escritor se dirige conhece a aliança de Deus com Israel. Conhece a história de seu povo. Sabe que o Senhor libertou sua gente da escravidão no passado, conduzindo seus ancestrais à terra prometida, realizando muitas coisas boas a favor do povo escolhido, disciplinando-o quando necessário, para que ficasse evidente a glória divina e o bem das pessoas.

O autor utiliza dois verbos importantes em paralelismo poético, para reforçar a ideia de que “anos de vida e paz” se articulam diretamente com a ação de “não esquecer” os ensinamentos divinos e “guardar” no coração, o quartel-general da vida, os mandamentos do Senhor. Em outras palavras, o autor nos propõe uma intimidade crescente com a Palavra de Deus, por meio de dois movimentos muito precisos, que podem significar “manter na memória” os ensinos divinos e “cultivar” no mais profundo da alma a obediência aos mandamentos do Senhor, tornando-se mais e mais um praticante da Palavra.

O passo seguinte traz a promessa que todos ansiamos: dias aumentados e anos de vida e paz acrescentados. Afinal, é nossa obediência a Deus que prolongará nossa vida, ou são os ensinos e mandamentos do Senhor que nos farão viver melhor? Reflitamos sobre a passagem novamente. O propósito de Deus ao conceder seus ensinos e mandamentos, objetiva mostrar-nos como o Senhor vê e deseja um relacionamento correto para com Ele, para conosco mesmos e para com os nossos semelhantes.

Deus ama, salva, perdoa, disciplina para o crescimento, abençoa, sustenta e assim nos mostra como é benigno e misericordioso. O que Ele quer de nós? Que o amemos com todo o nosso coração, com toda a nossa alma e com toda a nossa força (Dt 6.5). O que mais Ele quer de nós? Que pratiquemos a justiça, amemos a misericórdia e andemos humildemente com Ele (Mq 6.8). Haverá mais alguma coisa que Deus queira? Sim, que amemos uns aos outros como Cristo nos amou (Jo 15.12).

Isto poderia ser muito pesado se não tivéssemos o Espírito do Senhor, como selo em nossas vidas (Ef 1.13), como consolador e mestre (Jo 14.16,26) e guia na verdade (Jo 16.13). Entretanto, tomar o jugo de Jesus e aprender dele torna a vida suave, independentemente das circunstâncias que vivemos. Podemos tudo naquele que nos fortalece.

É possível, então, entender melhor como o andar nos passos de Jesus acrescenta anos de vida e paz à nossa vida? Porque Ele nos conduz às águas tranquilas e refrigera nossa alma, guiando-nos serenamente pelas veredas da justiça, por amor de seu nome (Sl 23.2,3). Porque Ele nos visita em nossas tribulações, perdoando nossa incredulidade e ajudando-nos a depender de sua graça.

Pois é, nossa vida só terá sentido pleno e anos de vida e paz quando escondida em Deus, quando lavada pelo sangue de Cristo, quando vivida segundo a Palavra ensinada pelo Espírito, quando atitudes e pensamentos revelarem nossa dependência do Altíssimo e se traduzirem em ações que abençoam e edificam.

 

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